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1.3.11

Será assim tão diferente???

 Algures numa cidade deste mundo, vivia uma rapariga chamada Sofia. Sofia morava no nono andar de um prédio com os pais e o irmão mais novo, de nome Miguel.
    O despertador tocou, e Sofia levantou-se. Estava cheia de sono pois eram seis horas e quarenta e cinco minutos mas era dia de escola e não podia chegar atrasada. Vestiu-se, penteou-se e dirigiu-se à cozinha onde encontrou o irmão, ainda mais sonolento que ela, a comer uma torrada e um copo de leite.
  - Acorda Miguel – disse Sofia – hoje sou eu que te levo á escola e não quero levar com as culpas de chegares atrasado – com isto tirou-lhe uma torrada do prato e começou a comer.
  - Essa era minha! – Disse Miguel – fui eu que tive o trabalho de a preparar.
  - Pois, pois, e eu não sei que foi a mãe que a fez, nem nada – disse Sofia   ironicamente – tu  és bastante preguiçoso, nem sequer ainda te vestiste!
  - Está bem, está bem, já vou! – disse Miguel.
  Miguel dirigiu-se para o quarto e vestiu-se ensonado.
  -Despacha-te Miguel, estamos atrasados! – Este vestiu-se á pressa e de seguida voou para junto da Irmã.
  Sofia entregou-lhe a mala e dirigiu-se para o hall dos elevadores onde os dois esperavam desesperadamente que um chegasse. Logo que este chegou ambos entraram e de seguida carregaram no botão do rés do chão.
  Quando saíram do prédio encontraram logo os melhores amigos do Miguel. Enquanto atravessaram a rua prestavam atenção a todo o barulho desconfortável que a cidade emitia.
  - Já viram este barulho horrível!  - exclamou Miguel – A nossa prima Raquel, aquela que vive no interior, contou-nos que nunca havia  tanto barulho. Disse que quando ia para a escola apenas ouvia o som dos pássaros, uma melodia eternamente linda e agradável.
  - Pois, nós apenas conhecemos este som de carros e este cheiro a poluição. Se fossemos passar umas férias lá iríamos sentir-nos no paraíso! – Repostou Sofia.
  Já a rua estava atravessada, quando se aperceberam que já estavam dez minutos atrasados. Desataram a correr até chegarem ao portão da escola, onde passaram o cartão tão rapidamente que parecia que tinham sido arrastados por um tornado.
  Passaram o recreio e dirigiram-se para o portão que os guiava para um corredor recheado de portas de onde saiam luzes e vozes de professores e alunos. Os dois irmãos seguiram até à sala 11 onde ficou o Miguel. Sofia continuou, sentia que o corredor nunca iria terminar e que nunca chegaria à escada que tinha de subir. Continuava a ouvir as vozes, principalmente a de uma aula de Ciências onde falavam exactamente nos sons de uma cidade e de os do campo. Sofia parou a ouvir e algum tempo depois continuou. Seguiu até á escada e subiu. Andou um pouco mais no corredor e entrou numa sala que na porta tinha o numero 22. Era a aula de matemática. Mais uma vês chegou atrasada, o professor já estava farto e por isso deu--lhe exercícios a dobrar. Sofia já nem se preocupava, tinha sido a única negativa do ano passado e este ano continuava. Sofia seguiu para a sua carteira e sentou-se junto da sua melhor amiga, Mariana.
  - Pelo menos já não tens trabalhos de casa! – exclamou Mariana.
  - Isso pensas tu, ele manda sempre a mais para mim, nem que seja de outro livro. Ele arranja sempre alguma coisa.
  - E não te importas?
  - Para quê? Não ia mudar nada. Bem, vou tentar começar a tentar fazer estes exercícios, mas não vou conseguir.
  Depois de um quarto de hora a tentar fazer a primeira conta, Sofia a adormeceu em plena sala de aula. Mariana tentou esconder com o dossier como fazia habitualmente (Sofia adormecia quase todas as aulas), mas desta vês o professor viu.
  - Sofia! Sofia! Não se dorme nas aulas de matemática – gritou o professor
  - O quê? Mas...e…eu…eu não estava a dormir…estava só…só…só a…a…a descansar. Sabe para arejar o Cérbero?!
  - Bem, vá á casa de banho lavar a cara e depois falamos do seu castigo!
  - Mas…
- Mas nada, vá a turma não vai para por sua causa!
  Sofia dirigiu-se á porta e saiu. Passou novamente no corredor e desceu as escada. Passou pela a sala do irmão e foi para o portão. Atravessou o recreio e foi para o edifício do ginásio. Entrou pela porta do balneário e passou a porta para a casa de banho que se encontrava ao lado. Era uma casa de banho moderna, tinha as cabines vermelhas e brilhantes, uma bancada vermelha onde assentavam os lavatórios cor de cinza e, por cima das bancadas um vidro corrido e brilhante mas estranhamente estava partido numa ponta.
  - Nunca tinha visto este vidro partido. É estranho parece tão diferente, tão irreal!
  Sofia aproximou-se e tocou-lhe. A casa de banho começou a girar, era tudo tão lento, tão rápido, tão estranho. Sofia esfregou os olhos e quando voltou a olhar tudo estava normal.
  - Deve ter sido apenas uma tontura, bem com este professor nunca se sabe. Até tenho pesadelos com matemática.
  Com isto saiu da casa de banho e por sua vez do balneário. Fez todo o caminho inverso até chegar á sala de aula. Bateu á porta e entrou. Enquanto Sofia caminhava para a sua carteira ouviam-se bichanares.
  - Sofia, para onde vais? – perguntou o professor.
  - Desculpe professor, qual é o meu castigo afinal?
  - Castigo? Esta rapariga é tão imaginativa, talvês isso tenha ajudado a ganhar este prémio.
  - Prémio?! Acho que o professor enlouqueceu de vês! – disse Sofia – ainda por cima a matemática.
  Sofia estava estupefacta, não sabia que fazer nem que dizer. Olhou para Mariana e pedir ajuda, mas esta não estava no seu lugar. Em vês dela encontrava-se Catarina a sua maior inimiga, Sofia não a suportava, não conseguia imaginar o que seria estar ao seu lado. Virou-se e encontrou Mariana no lugar da Catarina.
  - Como é possivél que este professor mude a planta da sala sem sequer falar com a directora de turma, ou como é que eu vou receber um prémio?! E a matemática?! – pensou Sofia – se calhar anda um vírus qualquer pela escola que afecta os professores.
  Sofia olhou com o seu olhar de «ajuda-me!» para Mariana, mas, ela virou-lhe a cara mostrando ódio.
  - Até parece que sou amiga dela – disse Mariana para a colega do lado – Só porque ganhou um prémio pensa que pode ser amiga da dona da maior quinta da vila.
  - VILA! PRÉMIO! ESTÃO TODOS LOUCOS! A MARIANA NEM SEQUER É MINHA AMIGA! AH! – gritou Sofia.
 - De que é que estás a falar - disse Catarina – Nunca foste amiga da Mariana, nem nunca viveste fora da vila!
  - Bem, Sofia este prémio é teu, para já recebes apenas o diploma, mas na festa deste fim-de-semana receberás a medalha e o troféu de melhor estudante.
  Com isto o professor entregou-lhe um papel emoldurado onde se podia ler «diploma pelo óptimo desempenho escolar. Escola de vila verdejante»
  - Vila verdejante, esse é o nome da vila da Raquel! Deve ser para eu lhe entregar. – Pensava Sofia.
  Sofia não sabia o que se passava, todos estavam normalíssimos e não havia um só rosto admirado pelo prémio que Sofia tinha recebido. Alguns bichanavam: «outro…ela deve fazer colecção»e outros: «olhem para a sua cara, parece que não tem espaço na prateleira dos prémios». E Sofia no meu da sala, parada a olhar em redor com admiração. Estava imóvel não saia do lugar, olhava para o rosto de Catarina que lhe sorria como se fosse a sua melhor amiga.
  Entretanto as pequenas conversas entre os alunos tinham parado, a sala de aula encontrava-se em silencio. Todos olhavam fixamente para Sofia que se mantinha quieta no mesmo lugar. O silencio mantinha-se até que, a campainha tocou para intervalo. Os alunos saíram todos, todos excepto Sofia que continuava parada no centro daquela sala de aula pequena, mas moderna.
  - Não sais Sofia? – perguntou o professor enquanto arrumava os seus pertences – Queres ficar aqui um pouco a estudar?
  - A estudar? Não eu vou já para o recreio, não se preocupe eu vou já sair.
  - Está bem, no final, não te esqueças de fechar a porta.
  O professor saiu. Sofia dirigiu-se ao seu lugar e pôs o diploma na mochila, abriu o dossier e procurou os testes. Todos os seus testes tinham como nota “Muito Bom” e os seus trabalhos tinham notas que diziam «Parabéns pelo bom trabalho». Sofia fechou o dossier, e saiu da sala. Foi para o recreio e encontrou Mariana.
  - Porque é que o professor mudou os lugares? – perguntou Sofia.
  - O professor não os mudou, desde que o ano começou que temos a mesma planta – repostou Mariana - e deixa de falar comigo. Só porque tens boas notas não significa que poças falar comigo.
  Com isto Mariana seguiu em frente ignorando tudo e todos tal como fazia Catarina habitualmente. Foi nesse momento que Sofia olhou em volta, estava no campo. A escola estava isolada entre campos cultivados quintas e um pequeno riacho que passava rentinho às arvores e às pedras, umas maiores e outras mais pequenas, umas grossas e outras mais finas, de todas as cores que podemos imaginar.
  Ao fundo viu uma quinta acolhedora (pelo menos por fora parecia)com um estábulo, um curral e claro a casa dos proprietários. Era vermelha e brilhante, tinha as portas verdes e era tão bonita, tão bonita que Sofia quis tirar uma fotografia com o telemóvel. Sofia tirou o seu telemóvel com cuidado e tirou delicadamente a fotografia. Quando foi à pasta onde tinha as fotos, procurou-a mas tinha fotos de dentro da quinta também.
  - Mas, mas, esta é a quinta da Raquel, eu estou mesmo no interior do país, num planalto verdejante e florido. – pensou Sofia – mas como é que vim cá parar, como é que sou a melhor aluna a matemática, como é que a minha melhor amiga é a Catarina e como é que a Mariana me odeia?! Está tudo ao contrário é como um Universo paralelo onde a vida de todas as pessoas é inversa. Mas, com é que eu vim cá parar? Como? Como é possível?
  - Já virão o vidro da casa de banho? Está partido. – disseram algumas raparigas que passavam no recreio.
  - É isso! Foi o espelho, este objecto levou-me para o Universo paralelo.
  Quando Sofia se preparava para ir à casa de banho ver o espalho, Catarina aproxima-se e diz:
  - Então não vens almoçar, não era hoje que íamos a tua casa?
  - A minha casa, mas eu não… quer dizer, sim, claro a minha casa. Vamos, vamos…
  As duas amigas foram andando até ao portão. Passaram o cartão, cuidadosamente e quando deveriam avançar, Sofia não avançou, não sabia para onde ficava a sua casa, apenas via campos de cultivo, e a casa da sua prima Raquel.
  - Anda Sofia, fazes este caminho todos os dias, qual é o problema?
  - Bem, eu, eu acho… acho que… que tu devias ir á frente, como se diz… primeiro os convidados.
  - Está bem, então vamos.
  Assim, Sofia avançou atrás da sua amiga, ou inimiga, bem, como quer que fosse, ela seguiu-a. Olhava com atenção para a colega pois não se queria perder.
  Com o tempo foi se habituando à paisagem e ao magnifico som que ouvia. Parecia uma orquestra de pássaros com o acompanhamento de esquilos e de animais das quintas próximas. Com isto, Sofia lembrou-se da conversa que tivera com o seu irmão no caminho para a escola, era verdade aquele lugar era maravilhoso, tranquilo e silencioso.
  Sofia estava a pensar em conversas como esta, até que Catarina parou, parou mesmo em frente da quinta da sua prima Raquel.
  - Mas, esta é a casa da minha prima Raquel! – Exclamou Sofia
  - Da tua prima Raquel? Ah, ah, ah, deves estar mesmo com fome – respondeu Catarina – a tua prima Raquel não é aquela que vive na Cidade?!
  - O quê? – Perguntou Sofia – Quero dizer… sim, é claro, só me estava a lembrar de uma vês em que ela me pediu uma foto – tentou disfarçar
  Depois disto Sofia retirou a chave que tinha no bolso e abriu o portão. Entraram e dirigiram-se ao que parecia ser uma cozinha e encontraram Miguel, que já estava a comer.
  - Finalmente. Pensei que não vinhas, a tua comida já está aí.
  - Bem, já chegamos.
  Com isto, Sofia sentou-se e fez sinal a Catarina para ela fazer o mesmo. Enquanto comiam Sofia olhava em volta e admirava todo aquele silencio. Nem sequer o seu irmão (o maior falador que conhecia) falava.
  Sofia olhava em redor até que olhou para o relógio que estava na parede. Era um relógio redondo e encarnado, tinha os ponteiros azuis escuros  e, no topo, tinha um galo desenhado.
  - Estamos atrasados! – exclamou Sofia.
  Com isto tanto Catarina com ela começaram a comer o mais depressa que podiam. quase que a comida voava tal era a rapidez delas.
  - Trim… trim…trim… - o telefone tocou
  - Eu vou – disse Miguel
    Miguel levantou-se e atendeu.
  - É para ti Sofia, é a mãe. – disse Miguel
  Sofia dirigiu-se ao telefone e começou a falar. Era uma conversa admiração pelo prémio que tinha recebido.
  - Obrigada mãe… sim… sim… adeus… beijinhos… adeus – acabou por dizer Sofia – Até logo… adeus.
  - Vamos, já são hora de irmos – disse Catarina.
  Com isto saíram da quinta e dirigiram-se à escola. Passaram por um ribeiro onde pedras brilhantes e muito espessas eram banhadas por água cristalina, pura a mais bonita que alguma vês Sofia tinha visto. Era uma água translúcida que fez Sofia lembrar-se do espelho. Ao ter esta lembrança, Sofia começou a acelerar o passo e depois de algum tempo já estava a correr. Catarina estava impressionada, mas pensou que ela corria por estarem atrasados por isso também começou a correr.
  - A comida que a tua mãe fez estava maravilhosa! – elogiou Catarina
  - Obrigada, vou dizer á minha mãe – repostou Sofia
   Enquanto as duas falavam, chegaram á escola e passaram o cartão.
  - Catarina, o que achavas se num minuto, fosses a minha melhor e noutro fosses a pior?
  - Como assim, isso á impossível.
  - Pois… pois. – disse Sofia quase a chorar.
  Com esta frase, Sofia correu para a casa de banho. Mas quando lá chegou, o espelho não estava partido, nem sequer uma rachinha.
  - Não! Não! Vou ficar aqui para sempre! – Chorou Sofia – Nunca mais vou ter a minha verdadeira casa, a minha melhor amiga, não vou ter nada.
  Sofia já estava inundada nas suas próprias lágrimas quando uma voz, que parecia a da sua amiga Mariana disse:
  - Sofia… Sofia… Sofia… Acorda
  - O quê? – Perguntou Sofia
  - Acorda Sofia… acorda..
  Sofia começou a ver tudo desfocado e esfregou os olhos, quando voltou a olhar estava na sala de aula de matemática. E Mariana estava debruçada sobre ela.
  - Mariana! Que saudades. Mas, e o prémio, e a Catarina e, e o espelhol? – desatou Sofia.
  - Estamos na aula de matemática, nada disso aconteceu, estavas a dormir.
  - E o professor ainda não me viu
  - Não, mas se continuares sem fazer os exercícios ele vem cá.
  A conversa continuou até ao intervalo. Mas quando tocou Sofia foi logo a primeira a sair, foi direitinha á casa de banho. Quando  lá chegou o vidro não estava partido. Em vês disso estava um papel colado que dizia:
  - «Então Sofia, gostas-te da viajem ao Universo paralelo. Descobris-te o que é uma vida no campo. E agora de qual é que gostas mais? Não interessa quem eu sou, apenas interessa quem és tu. Adeus.»
  - Eu gostei, mas o meu lugar é aqui, com a minha família, os meus amigos, e com um mistério ainda por descobrir.

A flor do pântano

  Era uma vez uma ilha que ninguém conhecia. Não aparecia em nenhum mapa ou livro e nem o mais importante dos geógrafos tinha conhecimento dela. Era situada no Atlântico Sul sobre algas e corais. Os seus habitantes deram-lhe o nome de “Ilha verde”, pois, além da grande floresta que nela assentava era também revestida por relva verde e brilhante coberta de flores coloridas e cogumelos vermelhos que reflectiam mistério.
  Era habitada essencialmente por duendes. As suas casas eram cogumelos perfurados ou apartamentos nos troncos ocos. Havia jardins de ervas daninhas e lagos de poças de água, lojas em nenúfares onde se vendiam vestidos e blusas de folhas e flores. Mas além de estes e muitos outros lugares, os duendes temiam principalmente o pântano que estava rodeado pela enorme encruzilhada do horror onde, segundo as lendas, estava escondida, a mais bela flor. Uma vermelha e verde escuro, com pétalas redondas e perfeitas. Não havia rastos de qualquer um dos duendes que lá tinha, entrado. Bem, nem de duendes nem de qualquer outra criatura.
  A filha do presidente,  Bianca, como todos os outros duendes era pequena e incrivelmente bonita. Entre as suas orelhas pontiagudas corria um cabelo liso, comprido, de um tom de castanho, tão claro, tão claro que muitos seres mágicos achavam-no loiro. Tinha olhos verdes, com uma ponta de castanho, redondos que mostravam um desejo, um desejo profundo, um desejo de aventura, um desejo que lhe parecia impossível de concretizar, um desejo que nunca passaria mais além do que o seu coração.
A sua família vivia no tronco central. Tal como os seus pais e o seu irmão, Bianca tinha um andar completamente para ela. Tinha o seu quarto, casa de banho privada e uma sala secreta que apenas ela tinha conhecimento. Era como um escritório onde guardava as suas histórias, as suas viagens pelo mundo dos sonhos. Tinha também alguns cadernos de rabiscos com desenhos, tinha todos os desenhos possíveis e imaginários. Numa pequena prateleira  Bianca tinha cadernos com o seu diário dedos seis anos (partindo do principio que ela tem 15, e que não faltava nenhum dia, ela tinha imensas paginas de diário).havia também o diário de alguns amigos que ela tivera inventado, pois ela não tinha nenhum. Os amigos que tivera antes, apenas se interessavam pelo dinheiro e importância social do seu pai.
  Então Bianca vivia assim, apenas com os seus sonhos, os seus segredos, com a sua imaginação e histórias que ela inventava ou que ela conhecia, que ela tinha espalhadas pela sua cabeça, pela sua memória que quase já estava cheia.
  Era um dia como todos os outros, Bianca levantou-se, preparou-se como era habitual, tinha o seu vestido de folha verde e brilhante com as suas meias ás riscas que pousavam sobre umas botas castanhas. Saiu do tronco e enquanto caminhava pela rua cruzou-se com um colega da sua escola, de nome Afonso. Bianca nem lhe falou, porque estava habituada a ser ignorada, mas estranhamente ele disse:
  - Então, está tudo bem
  - Bem, sim… - respondeu Bianca um pouco atrapalhada – não leves a mal, mas onde estão todos os teus amigos.
  - Acho que já não tenho amigos… - respondeu Afonso.
  - O que aconteceu? – perguntou Bianca – os amigos não se perdem de um dia para o outro…
  - Bem, foi tudo uma aposta. Eu apostei com o Carlos que ele não conseguia trepar o tronco grande, sabes, a tua casa. Se eu ganhasse ele dava-me o seu leitor de musica portátil, o novo, o plantações musicais. E se ele ganhasse, eu tinha de passar a encruzilhada do horror sobreviver ao pântano e trazer a flor. Estava seguro de que ele iria perder e por isso arrisquei. O que acontece é que ele ganhou, e agora ninguém fala comigo enquanto eu não trouxer a flor, e segundo as lendas a flor enterra-se para sempre amanhã á meia noite. Agora não sei o que fazer.
  - Então vai á encruzilhada e ao pântano e procura a flor.
  - Estás a gozar, certo, eu não vou para ali sozinho.
  - Então, eu vou contigo, Afonso.
  Afonso ainda hesitou, mas acabou por aceitar.
  Passado cerca de meia hora estavam os dois, com as suas malas, junto ao portão da cidade. Então, após alguns segundos avançaram os dois.
  O caminho era duro e eles não o conheciam, mas avançavam sem preocupações. O caminho era deserto, sempre tudo igual, sem nada de novo.
  - Porque quiseste vir comigo? Afinal, é quase certo o fim – disse Afonso
  - A minha vida, não é vida, nunca foi. Não tenho amigos, nunca os tive. Estou sempre sozinha, nunca tive ninguém… é me igual se vou ou não, se morro ou se continuo a viver.
  Após esta pequena conversa avançaram. Trocaram algumas impressões e momentos que tinham vivido, mas todas estas conversas acabaram ao avistarem, um género de labirinto. Pararam um pouco, mas depois de algumas palavras de despedida como «gostei de te conhecer» e «foste um/a bom/a amigo/a» avançaram.
  Aquilo era estranho, não havia nenhum animal feroz, apenas cadáveres no chão, provavelmente, morreram de sede ou fome. A verdade é que o tempo estava a passar, e eles não encontravam o fim daquele labirinto. Estava a começara a escurecer e eles ali de um lado para o outro, sem conseguir avamçar.
  - Afonso, acho que devíamos ir por aqui – disse Bianca apontando para o lado direito.
  - Não Bianca, devíamos ir por aqui – disse Afonso apontando para o lado esquerdo.
  - Afonso, tenho a certeza de que este lado é melhor
  - Não é!
  - É sim!
  - Então porque não vais por ai, eu vou por aqui! – disse Afonso.
 - Está bem, mas eu vou encontrara a flor primeiro!
  - Sim, sim, continua a sonhar…
  Então os dois seguem cada um para o seu lado. Ainda furiosos, e já de noite continuaram. Acabaram por adormecer.
  No dia seguinte levantaram-se exactamente á mesma hora, apesar de estarem separados. Continuaram a andar, fizeram algumas coisas e os dois ao mesmo tempo encontraram a saída.
  - CONSEGUI!… TU!… SIM EU!… HAVIA DUAS SAIDAS?… - gritaram os dois ao mesmo tempo
  - Afinal não havia razão para estarmos chateados – disse Bianca
  - Sim, tens razão.
  E continuaram o  percurso, desta vez de mãos dadas. Caminharam um pouco e pouco tempo depois encontraram o pântano.
  - Como é que passamos – disse Afonso
  - eu tive uma ideia – disse Bianca
  Bianca virou-se e tirou da sua mala quatro folhinhas vardes.
  - sobe para cima delas, estas não nos levam ao fundo
 Os dois subiram e assentam os seus  pés cada um na sua folha. Assim começam a deslizar sobre aquela cobertura pegajosa sem encontrarem nada. Mas passado algum tempo encontraram uma pedra enorme ali no meio. Era uma pedra brilhante, e Bianca não resistiu a tocar-lhe.
  Mal Bianca tocou, abriu-se um clarão de uma luz intensa, dourada.  Que vinha acompanhada uma voz doce que disse:
  - Chegaram ao vosso destino, mas não vos posso entregara flor.
  - Porquê? – perguntou Bianca
  - Porque a verdadeira flor, amais bonita que existe já vocês alcançaram, o amor.
  - Então fizemos isto tudo para nada? – perguntou Afonso
  - Não, foi esta viajem que vos fez encontrar o amor. Éssa é a diferença entre vocês e todos os outros que aqui vieram, só vocês têm coração com espaço para a flor do pântano e para todas as outras flores que ainda podem encontrar. 

O mineral que salvou o mundo

  O mundo estava do avesso. A civilização utilizara a água potável em demasia, todos os cartazes e campanhas publicitárias amigas do ambiente pareciam não mudar a opinião das pessoas. As pessoas faziam ainda pior. As estações do tratamento das águas não tinham mãos a medir, a água chegava cada vez mais suja e demorava muito mais tempo a ser tratada. E quanto pior era, mais exigiam dos trabalhadores da empresa. A pouco e pouco, os trabalhadores não aguentavam e saiam, e assim os tratamentos das águas eram deficientes. A água que chegava a casa dos habitantes das grandes cidades já não era potável, tornara-se amarelada e com um cheiro desagradável.
  Por isso a água engarrafada teve mais procura, tornou-se cara e, pouco tempo depois, um luxo. A população mundial, doente e com sede, diminuiu, e de cada país foram chamados os presidentes e alguns especialistas na matéria que formaram a Organização Mundial da Descoberta e Tratamento de Água. A organização tinha por fim descobrir uma solução para o problema de falta de água. Parecia algo bastante importante, tão importante, que várias empresas e organizações doaram instalações enormes em cada continente para que não faltasse espaço para as investigações.
  Toda a população estava preocupada e os especialistas estavam cada vez mais pressionados. Passavam cada vez mais tempo a trabalhar para a Organização e parecia que nunca mais conseguiam encontrar uma solução para o tão grave problema.
  Um certo dia ouve-se um grito na sala de pesquisa da Organização na Europa. Um cientista corre pelo corredor até a sala onde está o presidente. Abre a porta sem bater primeiro e grita de uma vez só:
  -Lembrei-me de um fenómeno que me parece puder resultar, mas é muito arriscado…
  -De que fenómeno falas? Como assim arriscado?
  -Há vários anos houve uma apresentação de um dos cientistas Californianos que falava da hipótese de haver um novo mineral na água das praias de Malibu, que, com a adição de água iodada congela. descongelado derrete e torna-se na mais limpa de todas as águas com novos minerais e mais saudável. Se o localizássemos poderíamos apanhá-lo e descobrir a sua fórmula. Poderíamos desfrutar desse mineral durante anos, séculos até, e o nosso problema teria solução.
  - E arriscado? Com os mergulhadores profissionais temos esse tal mineral nas mãos em algumas semanas.
  -Pois, mas é que o cientista de que eu falei não deu por concluído o seu estudo, desapareceu na tentativa de descobrir a mesma fórmula que nós procuramos. Mas na apresentação ele disse que esse mesmo mineral, ainda solidificado não podia ser tocado por qualquer ser vivo nem respirar o oxigénio a menos de 110 metros de proximidade do novo mineral.
  - Precisamos de novos equipamentos e de o apoio de mergulhadores de diferentes nacionalidades. Vou imediatamente contactar a nossa organização nos outros continentes e comunicar a tua excelente ideia, bom trabalho
  O cientista agradeceu e depois saiu e dirigiu-se para o seu departamento.
  Foram feitas muitas provas de mergulhadores por todo o mundo, e foram seleccionados quatro mergulhadores, Mike, da Europa, Xuing, da Ásia, Jucu, de África e Joan, da América do Sul. Seguiram-se vários meses de treino e foi feito um novo e enovado submarino, e vários fatos de mergulho completamente resistentes e confortáveis para ser possível nadar durante muito mais tempo.
  Tinha chegado o dia que todos esperavam, o submarino estava prestes a partir. Junto ao porto estavam os cientistas da organização, e os treinadores e familiares dos mergulhadores.
  Dentro do submarino estavam também todos muito nervosos. Mike era o comandante, era louro e tinham fortes e brilhantes olhos azuis. Estava a controlar os pais e todo o equipamento para que pudessem partir em segurança. Xuing estava a preparar os fatos e as bombas de oxigénio que tinham de levar quando saíssem para fora do submarino, Jucu estava a preparar os mantimentos, e Joan estava de volta dos seus pertences preocupado com a responsabilidade que nele e nos seus colegas estava depositada, estava realmente preocupado. Era a hora da partida e todos se despediram, o submarino partiu e pouco tempo depois não se via nada senão água e mais água, era de facto uma paisagem maravilhosa, os peixes nadavam um pouco assustados com a presença do submarino mas não deixavam de mostrar as suas lindas guelras coloridas e brilhantes.
  O tempo ia passando e os mergulhadores ainda não tinham descoberto nada, porém, tempo depois, descobriram uma gruta, mas era muito estrita para entrarem com o submarino, por isso vestiram os seus fatos de mergulhadores e saíram.
  Estava escuro lá dentro, as rochas estavam revestidas de corais e alguns minerais podiam-se ver, mas não era nenhum daqueles, continuaram duram te muito mais tempo e nada, não encontraram nada de nada, apenas areia, algas e pedras comuns que encontramos em qualquer praia, estavam prestes para voltar atrás quando, de repente vêem um vulto atrás de um coral. Tinha tamanho para uma pessoa normal, mas fosse o que fosse estava muito quieto, muito frágil, doente.
  Aproximaram-se e um rosto começou a aparecer, era um humano, Joan pegou nele e levou-o para o submarino lá aqueceram-no e trataram dele.
  - Quem é o senhor? – Perguntou Xuing.
  - Sou um cientista, vim para aqui á procura de um mineral que descongelado se tornaria em água, perdi-me naquele gruta, estou lá desde esse dia.
  - Não pode ser, nós estamos aqui a procurar esse mesmo mineral – disse Jucu admirada – procuramos uma cura para a falta de água existente em todo o mundo.
  - Não posso crer, disse o cientista, lembraram-se de mim, da minha descoberta! –  disse o cientista muito contente
  - Sim, mas não fazemos a mínima ideia de onde esta o mineral – disse Mike – com o nosso tempo de estudo apenas aprendemos que devido às suas características se encontra num local refugiado, seguro e
  - Não, não caiam no mesmo erro em que eu cai –muito estreito. disse o cientista muito preocupado - vocês estão a seguir as pistas de maneira errada, no tempo que estive dentro da gruta pensei muito e depois descobri o porque do meu enorme fracasso. Não se podem deixar levar pelas características do mineral, mas sim no seu poder, é um mineral importante, não se pode congelar, porque se descongela facilmente e desperdiçaria todo o seu poder, por isso tempos de pensar no local mais quente onde nenhum mineral ou pedra se possa congelar com o frio dos Invernos. Pensei muito e esse mineral é uma pedra especial, mas não deixa de ser uma, e como muitas pedras, ele deve ter sido criado num vulcão, estamos a procurar no sítio errado, temo de ir para o Havai para o vulcão Mauna Loa, o maior do mundo, será o sitio indicado para o descobrir.
  - Então não temos mais nada a fazer, vamos voltar para terra, e falar de tudo á Organização – disse Joan.
  E assim aconteceu, procuraram especialistas na ária dos vulcões, e não havia perigo de erupção por isso esses cientistas foram recrutados para o Havai, subiram para o vulcão e podiam observar como era alto e vistoso, procuraram entre enumeras pedras que estavam presas ao solo, mas nenhuma delas apresentava quaisquer possibilidade de ter um mineral com aquelas condições. Procuraram durante horas e horas e parecia que quanto mais procuraram pior era. Mas, de repente alguma coisa começou a brilhar, a brilhar muito, até já magoava a vista. O cientista que tinha descoberto o mineral pegou com cuidado na pedra que transmitia tal luz, tão quente, tão forte. Olhou bem para a pedra e gritou de contente:
  - É esta, é esta, tenho a certeza que é esta mesmo!!!
  A pedra foi levada para laboratório, tiraram-lhe o mineral e tudo se confirmou, era verdade, era esse o mineral que procuraram, meses depois foi descoberta a sua formula e todo o mundo foi salvo. Graças ao cientista, que teve a ideia de um mineral extraordinário que tinha este maravilhoso poder.
 

O Vento

Eu sou o Vento,
Sou o vento…
E aqui vou mostrar
O que sou
O que faço
Tudo o que posso contar.
Sou mais rápido que uma sombra
Ganho todas as corridas
Eu sou o vento, sou o vento
Por onde eu corro passam vidas.
Sou eu quem chama a noite
E quem a manda levantar
Perco-me na sua escuridão.
Mas nunca posso parar.
Estou sempre a voar
Não preciso de motor,
Não tenho quaisquer asas
Não sinto frio nem calor
Apareço bem depressa
Ou então devagarinho
Quando tudo adormece
Eu apareço de mansinho.
Tal como chamo a noite
Posso tecer a manhã
Fazer o galo cantar
Fazer saltar uma rã.
Nos mais frios invernos
Faço beber chocolate quente
Ajudo os flocos de neve a cair
Deixo qualquer um contente.
Eu solto as marés
As ondas enrolo
Abro todos os tesouros
E guardo os segredos no fundo.
Vou entrar em qualquer porta
Vou espreitar a qualquer janela
E cumprimento as pessoas
Com uma assobiadela.
Neste planeta ou noutro mundo
Eu sempre viverei
A minha casa é onde há vida
Com todos e sem ninguém
Eu sou o vento, eu sou o vento
E nada mais acrescento…

Um pequeno grão de areia

Ás vezes ponho-me a pensar
Que neste mundo imenso e grande
Não há nada a mudar
Mas o que sou nada me garante

Sou pequena, eu sei que sou
Tenho a vida pela frente
Os caminhos que eu escolho são por onde vou
Mas têm abismos e chamas de repente

Posso-me magoar
Ficar presa numa teia
Mas se sozinha andar
Serei sempre um pequeno grão de areia

Tenho medo de errar
Esperar demasiado tempo
Se não tiver amigos em quem confiar
A vida será um sofrimento

Mesmo se chegar ao topo
Com dinheiro e importância
Continuarei sem chegar lá
Estarei presa pela ganância

Posso subir a escadaria da vida
Ter sangue de riqueza na veia
Mas se não o partilhar
Serei sempre um pequeno grão de areia

Mas juntos somos uma praia
Um deserto alaranjado
Encontraremos juntos a flor da vida
E um prado verde e arrojado

Sei bem que ainda estou longe de lá chegar
Mas tudo começa onde eu estou
Distinguir o amor e a amizade
Da inveja e da maldade
E para um novo patamar eu vou

Conheço bem o mundo
Sei onde me sentir bem
Afastar-me daqueles que me fazem sofrer
E dos que me desejam mal também

Se tu que me ouves
Te sentes emocionado
Pensa bem nas tuas escolhas
Não sejas enganado


Se não queres ser um pequeno grão de areia
Mas sim uma praia com um longo areal
Pensa bem no que eu te digo
Entra no mundo real